Por que a fotografia documental de famílias?

Os motivos que me fizeram dedicar a minha fotografia a esse estilo tão especial


Hoje eu quero contar um pouco sobre como a fotografia documental de famílias mexeu tanto comigo a ponto de fazer com que eu dedicasse minha fotografia exclusivamente a ela.


A experiência que mais me afeta em relação a fotos de família, ou melhor a falta delas, é que devido a uma enchente que ocorreu onde eu morava com a minha mãe e minhas irmãs, todas as nossas fotos foram perdidas. Diversos álbuns e centenas de fotos que contavam a nossa história em imagens ficaram debaixo dágua e com raras exceções, nada se salvou.


As memórias de infância, numa época que a fotografia não era tão presente como é hoje, ficaram ainda mais prejudicadas com esse evento, e hoje só temos pouquíssimas fotos das fotos que sobraram.


Hoje, o que sinto vontade de lembrar em detalhes, não são os dias de festa, ou um dia de passeio... o que eu queria ter era o máximo de detalhes de como era a casa que eu morava quando era bem criança, como era a rotina...pode ser utopia, mas o desejo real era de voltar o tempo pra ver exatamente como a vida era...


Esse é meu principal motivador na fotografia documental de família, já que nela não havendo uma direção por parte do fotógrafo, a família durante a sessão está literalmente escolhendo de quais momentos vão fazer uma espécie de backup pra restaurar no futuro e reviver as lembranças e as emoções vividas naqueles momentos fotografados. Daí a importância de se fotografar a rotina...




Fotografar uma cena falsa, não vai restaurar nenhuma emoção no futuro pois não vai haver uma conexão real com aquele momento, enquanto que uma foto documental deve ser autoexplicativa pra família daqui a 30 anos por exemplo... A família tem que olhar para aquela foto e dizer, "nossa, lembra quando a mamãe fazia aquele bolo e chamava a gente no quintal e vinha todo mundo correndo?"... As pessoas vão lembrar até do cheiro do bolo...pq aquilo acontecia de verdade...e a fotografia tem o poder de reviver tudo isso de maneira muito natural.


Em um dos livros da pscióloga húngara, Judy Weiser (Phototherapy Techniques), ela aborda como a fotografia de família é usada para acessar emoções e reviver momentos do passado e como isso pode auxiliar na solução de questões como falta de auto estima e diversos outros problemas de cunho psicológico que tiveram origem em situações vivenciadas na infância, e que com a terapia normal haveria uma dificuldade muito maior para serem resgatadas.


Além da importância que essas fotos vão ter no futuro, é sem dúvida muito gratificante ver uma família receber as suas fotos e se emocionar imediatamente com cenas vividas todos os dias e que eles nunca tinham notado o quanto eram bonitas. O olhar do fotógrafo coloca na foto os parâmetros necessários para ter a luz, a sombra e a composição ideais pra transformar aquela cena normal de um sábado de tarde, na imagem que você vai querer guardar e reviver pra sempre.


Antes mesmo de ser um negócio, poder contribuir para a construção das memórias dessas famílias, que viraram clientes e viraram amigos, é algo que eu nunca encontrei em nenhum ramo da fotografia que eu já trabalhei. E é por isso que eu sou apaixonado pelo que eu faço.



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