MANUAL BÁSICO DE FOTOGRAFIA DIRETO AO PONTO

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Introdução

Olá! Tudo bem? Eu sou Marcello Azeredo, fotógrafo responsável pela Marcello Fotografia e eu ajudo famílias a registrar suas memórias através da fotografia documental, preservando as cenas cotidianas em material fotográfico de alta qualidade. Se você gostaria de ter fotos diferenciadas, realistas e emocionantes da sua família, te convido a dar uma olhada no meu portfólio, e acompanhar o meu trabalho.

Como fotógrafo de famílias e fotógrafo de eventos que atua no Rio de Janeiro há mais de 5 anos, eu não posso deixar de te recomendar apoio profissional, que vai sim te trazer muito mais certeza de bons resultados, mas esse post vai tentar te trazer autonomia para melhorar as suas fotos ainda que a sua opção seja por fazê-las sozinho (a).

Eu preparei esse material com um objetivo muito claro, DAR CONDIÇÕES AO LEIGO DE FOTOGRAFAR COM UMA CÂMERA NO MODO MANUAL eu quero que em poucos passos e sem linguagem complicada, você seja capaz de pegar a sua câmera no modo manual escolher a cena que quer fotografar e possa controlar se a foto sairá mais clara ou mais escura, se ela vai ser congelada ou com rastro, se ela estará toda em foco ou com o fundo desfocado... enfim... escolher como vai ser a aparência da sua foto no final, e não somente deixar a câmera controlar tudo isso no modo automático.

Você pode tirar fotos lindíssimas com qualidade e é bem mais fácil do que você imagina. Muita gente diz ser algo muito complexo de se aprender e que exige anos de estudo, quando na verdade o entendimento dos conhecimentos básicos para fotografar leva muito pouco tempo.

A especialização e a prática nas mais diversas áreas da fotografia, a velocidade com que você configura os parâmetros na sua câmera, e o chamado olhar fotográfico é que você desenvolve com o tempo. Mas estar apto para configurar a sua câmera e obter um resultado maravilhoso para você colocar aquela sua paisagem marcante num quadro ou fazer fotos do crescimento do seu filho com qualidade, NÃO É DIFÍCIL… e você vai ver.

Bom…pra começar vamos desmistificar essa história de que uma foto boa é consequência de um equipamento bom… NÃO É VERDADE. A verdade é que é a técnica que vai diferenciar uma boa foto… Se você entregar uma supercâmera em modo manual na mão de um leigo, as fotos serão ruins, e um fotógrafo de verdade vai saber fazer boas fotos mesmo com a câmera mais baratinha.

Só para deixar claro, a câmera mais básica que existe no mercado hoje e até alguns celulares são bem superiores tecnicamente a qualquer câmera da década de 60 ou 70 quando mestres da fotografia já faziam trabalhos lindíssimos.

Então…esqueça isso… qualquer câmera que te permita acesso aos controles manuais são suficientes para você obter bons resultados com o conhecimento da técnica.

Uma outra coisa que se pergunta bastante é sobre talento versus estudo… O talento é uma ajuda incrível para o desenvolvimento de uma habilidade qualquer, mas se engana quem acredita que só o talentoso tem chance de sucesso… o esforço e a dedicação ao estudo são aliados de TODOS… Portanto nada de ficar se lamentando dizendo que não tem talento para alguma coisa, nesse nosso caso, a fotografia.

Estude e se dedique que você vai evoluir tanto a ponto de ser impossível saber quanto talento você tinha no início da sua jornada.. Nesse documento nós vamos abordar os assuntos básicos necessários para isso, e vamos nos aprofundar naqueles que fizerem maior diferença no seu resultado final, a SUA foto.

Existem tantos cursos de fotografia que você pode até se perder na busca daquele que seja o ideal pra você, mas esse simples documento foi preparado pra quem tem pressa… para aquele que vai querer se aprofundar depois, mas já quer ver resultados AGORA.

Então seja bem-vindo ao MANUAL BÁSICO DE FOTOGRAFIA DIRETO AO PONTO. E chega de papo, vamos lá.

Funcionamento da câmera e uma analogia

Nesse tópico o objetivo é te mostrar como funciona a tua câmera e os parâmetros que ela usa para capturar aquela cena que está na sua frente. Vamos lá:

O mercado de câmeras digitais hoje está, em sua maioria, divido em duas categorias, as DSLR e Mirrorless. Ambas possuem na parte de trás um monitor de LCD e um visor para você colocar o olho (view finder). A diferença é que na DSLR, a luz da cena é refletida até o view finder por um espelho, que só se levanta na hora da foto pra deixar a luz passar para o sensor, e na mirrorless, como ela não possui espelho, a imagem é projetada diretamente no sensor e transmitida por um minúsculo LCD no view finder.

Esquema do funcionamento de uma câmera DSLR
Esquema do funcionamento de uma câmera DSLR

O princípio de qualquer uma delas é o de uma câmara escura com uma entrada de luz na frente. Quando você clica, a luz passa por um orifício de abertura regulável, que fica na lente e chamamos de DIAFRAGMA, e segue seu caminho em direção ao sensor. No caminho ela encontra o OBTURADOR, determina quanto tempo o sensor ficará exposto, e ao atingir o sensor, este possui sensibilidade configurável que chamamos de ISO. A fotografia não é outra coisa senão a impressão feita com luz, que antigamente era feita num filme e hoje em dia é feita no sensor eletrônico da sua câmera.

Você já deve ter percebido nessa brincadeira que para controlar a quantidade de luz gravada na sua foto, as variáveis abertura do diafragma, tempo do obturador e valor do ISO, são as peças chave que você tem, e pra entender isso eu vou propor uma analogia: Em vez de luz, vamos imaginar que você tem água saindo de uma torneira para encher uma garrafa.

Sua variável abertura de diafragma agora é o quanto você abre da torneira. O tempo do obturador é o tempo que você deixou a torneira aberta, e finalmente o ISO é o tamanho da boca da garrafa. A exposição correta de uma foto é representada por uma marca imaginária de nível na garrafa.

Pois bem… numa análise rápida: Se ao final de uma captura eu tenho água abaixo do nível, de que maneiras eu posso configurar meu sistema para ajustar isso? Ou eu abro mais a torneira, ou eu deixo ela aberta por mais tempo ou eu uso uma garrafa com a boca mais larga pra para não desperdiçãr a água que cai.

O objetivo é ter a quantidade de água esperada. Voltando para a fotografia. Se depois do clique, a foto que aparece pra você é uma foto escura, entrou pouca luz, se você abrir mais o diafragma e/ou deixar o obturador aberto por mais tempo, temos mais luz no sensor e tcharan! Sua foto estará mais clara.

Faça exercícios mentais de situações dessa analogia. Por exemplo: E se mesmo abrindo a torneira toda, ainda ficar abaixo da marca? No próximo tópico, nós vamos detalhar as medidas usadas para cada um desses parâmetros e quais são as CONSEQUÊNCIAS de mexer em cada um deles.

Triângulo da fotografia

No tópico anterior nós tivemos um resumo de como a sua câmera funciona e fizemos até uma analogia com água em vez de luz.

Então... o exercício mental que eu propus, apresentou a situação de a torneira estar toda aberta e ainda assim não ser suficiente para atingir a marca na garrafa.... Pois bem, uma solução seria deixar a torneira aberta por um pouco mais de tempo ou até usar uma garrafa com a boca maior se fosse preciso, pra não deixar água cair fora.

Lembre-se sempre do seu correspondente na sua câmera. Como a gente falou no outro tópico, o tempo que o obturador fica aberto, o quão aberto fica o diafragma e o quão sensível estará o sensor, determina se vai entrar muita luz e deixar a sua foto superexposta, pouca luz e deixá-la subexposta, ou na quantidade certa e te dar uma foto corretamente exposta. O tempo de obturador é medido em escala de frações de segundo até vários minutos e você vai ver representado na sua câmera assim : 1/50, 1/100, 1/250 e etc. Quanto menos tempo ficar aberto, menos luz entra e a foto fica mais escura.

Em que isso interfere na minha foto além disso? Sabe aquelas fotos com borrão de movimento? Dá pra afirmar que o obturador ficou tempo suficiente aberto para o assunto se mover e literalmente estar em mais de um lugar durante a foto. Isso pode ser desejável para algumas fotos, mas se você quer congelar o movimento, o tempo de exposição deve ser o mais curto possível. Nesse ponto, uma dica interessante é que quando você precisa deixar o obturador mais tempo aberto, é interessante o uso de um apoio para a sua câmera, que pode ser um banco, uma mesa ou se você tiver um tripé. Dessa forma a câmera fica bem apoiada e não treme durante a foto, mantendo a nitidez da foto. É muito comum em fotos com pouca luz, o seu celular aumentar o tempo de exposição para tentar ganhar mais luz, mas aí com ele na mão, sai tudo borrado... São os inconvenientes da foto no modo automático.

A determinação da abertura do diafragma é feita por meio de uma nomenclatura própria, denominada ESCALA F/STOP. Esta escala se apresenta da seguinte forma: f/1, f/1.4, f/2, f/2.8, f/4, f/5.6, f/8, f/11, f/16, f/22, f/32. Quanto maior for o número depois do "f", menor será o orifício aberto no diafragma e menor será a quantidade de luz a ser transmitida pela lente, e menos luminosa será a imagem que se formará. Então tenha em mente que uma abertura f/2.8 por exemplo, é mais claro que uma abertura f/16.

A consequência da alteração da abertura do diafragma é que em aberturas maiores (f/2.8 por exemplo) dependendo da distância do objeto fotografado, eu posso ter apenas uma faixa de 50 cm em foco, e todo o resto, pra trás e pra frente do assunto fotografado, desfocado... ao passo que se eu estiver usando f/16, a área em foco seria de cerca de 3 metros. Ou seja, quanto menor o número depois do "f" mais luz, mas menor faixa em foco, quanto maior o número depois do "f", menos luz, e maior área em foco. A essa área em foco, chamamos de PROFUNDIDADE DE CAMPO. Quer aquelas fotos com o fundo desfocado? Procure a maior abertura que a sua lente permitir (f2.8 por exemplo). Vai fotografar uma pessoa numa paisagem e quer tudo em foco, use a menor abertura possível (f/22 por exemplo)

A sensibilidade do sensor é o outro item e é chamado ISO. O ISO é uma escala numérica e é representado assim: 100, 200, 400, 800, 1600, 3200 e assim por diante. Quanto maior o ISO, mais luz o sensor PERCEBE... note que não é "mais luz o sensor RECEBE".

A questão a ser analisada ao se mexer no ISO, é que se a câmera recebeu pouca luz, ela meio que INVENTA a informação que ela NÃO recebeu naquele pedacinho do sensor...isso é o ruído de imagem e são aqueles pontinhos que aparecem em fotos com pouca luz, e esse ruído aumenta conforme se sobe o ISO.

Diagrama do triângulo de exposição representado por Velocidade, Abertura e ISO, e suas cosequências.
Diagrama do triângulo de exposição representado por Velocidade, Abertura e ISO, e suas cosequências.

Tenha em mente que se um desses 3 fatores (velocidade, abertura ou ISO) está mais ou menos intenso, um dos outros dois, ou os dois, precisam se ajustar para equilibrar a exposição de luz, por exemplo: se minha velocidade está alta, vai entrar menos luz, então eu preciso abrir mais o diafragma e/ou aumentar o ISO. Se a minha abertura de diafragma for muito pequena, eu tenho que compensar, aumentando o tempo de exposição ou aumentar o ISO. Você deve ter percebido que as possibilidades de combinações são muitas, e devem obedecer às condições de luz que você tem na cena e ao efeito que você deseja na sua foto.

Lentes

Comprimento focal

É a distância em milímetros entre o ponto que a luz se concentra em foco dentro da lente, e o sensor da câmera. Quanto maior esse número, maior é a aproximação e mais fechado é o ângulo de visão no quadro. Falando de forma simplificada, é o zoom ótico que você aplica.

Cabe aqui ressaltar que a lente ideal, depende do uso que você deseja, e o que é ótimo pra um uso, pode ser imprestável pra outro. Para fins de exemplo, uma lente de 200 mm , que é uma lente que aproxima muito o assunto pode ser muito boa para fotografia de esportes, mas inviável de se usar para fotografia de arquitetura de interiores. O contrário se dá para uma 14 mm, por exemplo, que tem um ângulo de visão super aberto e faz o assunto parecer mais distante da lente.

Diagrama comparando os comprimentos focais versus o ângulo de visão de cada um
Diagrama comparando os comprimentos focais versus o ângulo de visão de cada um

Abertura

É uma importante característica ao se escolher uma lente. Trata-se da abertura máxima e mínima do seu diafragma em diferentes distâncias focais.

Como já vimos anteriormente, isso vai influenciar em quanta luz vai poder entrar na câmera num determinado tempo, seguindo aquela nossa analogia, essa é a nossa torneira, que tem um máximo e um mínimo pra abrir.

Formato de arquivo (RAW e JPG)

A maioria das câmeras digitais atuais têm a capacidade de entregar arquivos nos formatos RAW e JPG. O formato em RAW é o que lhe permite fazer o maior número de ajustes de luminosidade, cores e nitidez, mas pra isso a câmera gera um arquivo que pode ser 10 vezes maior que uma foto em JPG, que é um formato equivalente à foto já revelada e que portanto não abre tantas possibilidades quanto o RAW. Meu conselho é pra que sempre que possível, fotografe em RAW, a menos que você precise de velocidade nos cliques ou vá entregar pra alguém na hora, ou tiver um cartão de memória pequeno. Caso contrário RAW é o melhor formato por te possibilitar uma faixa maior de correção de claros e escuros da foto e até mesmo correção de cores com muito mais liberdade.

Lembrando que pra editar arquivos em RAW, você vai precisar de um programa que leia esse formato, como o Adobe Lightroom por exemplo.

Fotometria na prática

De volta à nossa analogia, a cena que você está querendo fotografar com a luz que está contida nela tem a sua fotometria ideal que é representada por uma marca de nível na garrafa. Na sua máquina fotográfica trataremos aqui como o centro do seu fotômetro. Ou seja... de uma maneira simplificada, você deve buscar ajustar a velocidade, a abertura e o ISO de maneira que o seu fotômetro aponte para o centro do marcador. Dessa forma as suas chances de acertar a fotometria da sua foto de primeira são enormes...e com a vantagem da fotografia digital que te permite analisar a foto na hora e saber se ficou claro ou escuro em relação ao que você queria, e poder imediatamente corrigir a configuração pra clicar novamente.

Uma outra maneira de se fazer isso é usar o recurso da tela de LCD que está presente na parte de trás das câmeras que costuma ser chamado de live view. Noscom exceção das câmeras DSLR, essas telas procuram mostrar pra você em tempo real o quão clara ou escura ficará a sua foto... Mas não tenha medo de clicar e corrigir a sua configuração...experimente alterações, pratique...

Com essas ferramentas que foram apresentadas e uma pitada de criatividade, você já é capaz de fazer fotos lindas.

É óbvio que isso não te torna um fotógrafo profissional, mas pode sim melhorar as suas fotos te permitindo buscar mais detalhes da teoria e da prática com mais tempo.

Espero ter te ajudado, e se você conhece alguém que goste de fotografia, compartilhe esse post. Um abraço.

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